quinta-feira, 15 de maio de 2014

Um Monte De Coisas e Coisa Nenhuma

Estava começando a voar, mas em dívida. Não podia ter prazer com a nova habilidade, me sentia perseguido. Ele estava atrás de mim, em meu encalço, com força suficiente para me esmagar assim que o desejasse, mas não o fazia. Encontrar algumas pessoas conhecidas me fazia sentir o status por estar voando, mas não era agradável, o status era delas, não meu. Voar não me melhorava em quase nada, estava em dívida. Encontro mais uma pessoa e peço ajuda "por favor, fale com ele, para que me dê mais tempo, eu quero pagar, mas preciso de mais tempo". A resposta é "ele te deu 7 dias". Saí de lá voando, voando baixo, sabendo do inevitável.
Sete dias longos, quase eternos, quando percebi que a dívida era um convite, o convite mais recusável e inevitável que eu poderia receber. Percebi ao aceitar, convite que não pode saber antes de aceitar, paradoxal.
Estou voando alto!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Homem Social

O homem gosta de conflitos e diferenças, de luta de classes. Pra ter um herói é preciso que os outros não sejam heróis, se todos forem heróis, ninguém é herói.
Ninguém quer fazer algo e ser ignorado, todos querem ser ouvidos e admirados. Pra isso, você precisa ser bom naquilo e ser bom significa que outros são piores.
Se desaparecer a comparação o que o homem fará?
O que será daqueles que amam a crítica, a revolução?
Queremos mesmo um mundo igualitário?
Alcançando a igualdade, o que faremos?
O maior medo do homem se apresentará, a falta de sentido no viver.
Lutem em guerras, briguem, reclamem, preguem religião, façam canções de protesto. Aproveitem enquanto há opostos, pois depois disso tudo que há é silêncio.
Vocês já sabem, mas estou avisando.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Passando Pela Porta















Após ver o filme Alice No País Das Maravilhas, as imagens desconexas de um sonho se transportaram para o meu sonho, e se reconheceram como softwares compatíveis. Ele estava confuso momentos antes, como um quebra cabeças embaralhado. As imagens foram vistas como símbolos, ficando em segundo plano seu contexto. O distorcido reflexo do reflexo de minha mente foi exposto com graça e astúcia.
Comi o pão e, ao invés de crescer ou diminuir, fui ao passado, não ao passado de minha forma individual, mas ao da raça humana. Voltei ao primeiro lampejo da consciência de si, algo bem primitivo. Na oportunidade de experimentar a capacidade de dar nome a todas as coisas, de ser o primeiro a definir, ser O Verbo. Nesse momento se rompeu uma grossa camada de conceitos de eras, como num filme, vi se desfazer a história da humanidade diante de meus olhos. De trás pra frente é mais fácil entender como chegamos até aqui. Tudo se tornou patético e belo. Todas as ideias humanas são criações deste ser capaz de nomear e interpretar o mundo da forma que melhor desejar. Imaginar uma espécie mais primitiva adentrando a perspectiva humana é fantástico, com a mente você pode decidir o que quer ser, mesmo sendo contra a natureza.
A liberdade que senti ao vislumbrar esse fato foi me aproximando do que pode ser chamado plenitude.
Fui sugado por um poço, tão abstrato que não posso dizer se com fundo ou não, poço atemporal. Viajei além do espaço-tempo para o centro, de onde tudo foi criado, eu estava lá, eu estou lá.
Que brincadeira tosca parece aos homens a ilusão de separação. Mas que bela vista, divertida e emocionante, estar aqui, disfarçado de limitado.